Ana e Cláudia desceram do táxi
jovens saídas da noite
vestidos pretos, sandálias de salto
destacando pernas alvas
não se sabe o que falavam
neste breve instante frente a frente
rostos quase se tocando
buscando um pouco mais
e quando se beijaram, 
lindas sob a luz do amanhecer
eram definitivamente Ana Cláudia.

Havia fantasmas 
quando a vi
num instante
na janela.

Havia saudade
no giro do pneu
em toda solidão 
da beira das estradas.

Havia vez por outra
estrela cadente
e um pedido
por tudo que há de ser.

Talvez por tudo isso
em todo viajante
há uma mulher
que nem mesmo sabe.

É assim noite na estrada
como olhos de gato
em tudo que eu via
havia.

Puseram um computador
em cima da minha mesa
aposentei a máquina
até caneta já me cansa
as letras na tela
surgem parece do nada
dá gosto de ver
dá vontade de escrever
assim, assim por nada.

– Esse trem danado vicia
que nem avião.

Mas de vícios sofro pouco
dependo de uns três ou quatro
outro dia me pegou mais um
quando cai sem querer
de beijos na sua boca.